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segunda-feira, 2 de março de 2009

Como viver na cidade com o 3º pior IDH do Brasil?

Não vive. Quem assistiu a matéria exibida no Fantástico da Rede Globo no último domingo, 1º de março, deve ter se perguntado isso. A resposta está no número de amigos perdidos para as grandes cidades (São Paulo, Aracaju, Rio de Janeiro, Campina Grande, Recife). Além dos que tentam alguma coisa na vizinha Arapiraca. Alguns vão embora pela curiosidade, conhecer a cidade grande, essas coisas que a Tv e os amigos que foram e voltaram, "gastadores", vivem falando.

A água também é uma grande culpada, mas, não essa que apareceu na reportagem, a potável, de beber. A matéria mente, inclusive, mostrando imagens do rio e cortando para um povoado muito afastado do mesmo. Traipuense bebe água amarelada e não se envergonha de tomar banho de rio, na fonte ou de balde. Não procede a informação de que o motivo da ausência se água é a sujeira do rio. O rio está sujo sim, mas as casas na cidade, região onde o rio passa, tem água encanada.

O problema está nos povoados, como no Sítio São José (ou manoéis, como é conhecido popularmente um dos povoados mostrados na reportagem e afastado da cidade). A falta de água que realmente incomoda o povo é a esquecida por São Pedro. Chuva significa terra molhada, roça de feijão, milho e mandioca farta, gado gordo, dinheiro para a festa do povoado e para gastar no bar do Evandro.

Mesmo assim, o grande problema de Traipu não é a falta de água, é falta de vontade política. É por causa dela que a maioria dos meus amigos foi embora, sem perspectiva de emprego, vendo seus irmãos passando necessidade, pegam a primeira oportunidade e vão embora. Todos os homens da minha idade ou pegaram o rumo ou estão casados, vivendo da roça.

A culpa é da falta de escola? Vamos ver: Eu tenho um amigo, seu nome é Célio. Ele terminou o ensino médio e se negou a ir embora com seu irmão para São Paulo. Resultado: está casado, tem uma linda menina e... trabalha na roça. O pai de Célio, Messias ( "seu" Missía para nós) é semi-analfabeto .Como ele ganha a vida? Trabalhando na roça! Qual a real diferença entre um e outro? O conhecimento adquirido? Bobagem! a qualidade da educação em Traipu é do tamanho de seu IDH!

Não estou dizendo que a educação escolar não serve pra nada, na verdade, são várias as utilidades: matar um horário na roça, paquerar um pouco, tomar banho no rio, jogar bola no "ribeirão", beber com os amigos e, claro, assistir aula numa sala de cinquenta, sessesta alunos (isso quando o ônibus da prefeitura vai pegar o pessoal), com matérias sem professor.

O que estou querendo dizer é que mesmo se a educação fosse a melhor do mundo, sem local para trabalhar, essas pessoas iriam embora e o lugar continuaria do jeito que está. Quer saber qual o grande probelma de Traipu? A oligarquia! Duas famílias e seus respectivos bandos tem a cidade inteira nas mãos. Não cria-se emprego, Claro! Muito melhor manter essas pessoas vindo uma vez por mês pegar dinheiro na prefeitura, pagando sua conta de luz.

São as famílias de Marcos Santos, que governa a cidade a 8 anos (quatro seus e quatro do sobrinho) e acabou de ser reeleito, mesmo tendo acabado de sair da cadeia acusado por formação de quadrilha na Operação Carranca, e de José Afonso, que foi prefeito da cidade antes de Marcos e graças aos 16 processos por improbidade administrativa, hoje, coloca sua mulher como candidata. Ambos transformaram o IDH de Traipu num dos menores do país, 0,479, comparado a países como o Haiti (o menor IDH das Américas).

A matéria da Rede Globo tenta dramatizar a situação, caricaturando Traipu, transformando-o em município seco. Certo, mas o que isso o diferencia dos demias municípios do agreste e sertão nordestino? A seca se espalha por toda essa região e nem todos esses lugares são tão miseráveis! A diferença está naquilo que a matéria não mostra, claro, como poderia! Nem os jornais locais mostram! O problema é a sede de poder, a ganância, a corrupção. O sistema é errado? Sim! Mas em Traipu, mais que em qualquer outro lugar nesse estado, "alguns animais são mais iguais que outros".

POR MEUS AMIGOS QUE FORAM EMBORA, MESMO QUERENDO FICAR!


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

ME me ME me (não é o refrão do novo sucesso do carnaval baiano)

O que fazer quando um amigo te manda uma dessas brincaeiras de orkut (tipo, mate o cara com uma arma de CS!)? E pior, via blog! O jeito é entrar na brincadeira e aproveitar para divulgar uns blogs bem interessantes!

Regras:

1. Linkar a pessoa que te indicou: (http://www.todeboa.comze.com/);
2. Escrever as regras do meME - yes!;
3. Contar seis coisas aleatórias sobre você: furei a orelha; o futebol é o maior amor da minha vida; odeio corrigir os textos; sou de esquerda; acredito na revolução proletária; brinco de fazer tcc
4. Indicar seis pessoas e link ar no fim do post: terra interessados (http://terrainteressados.blogspot.com/ mais abaixo); salomão miranda (http://salomaomiranda.blogspot.com/); mangue wireless (http://manguewireless.blogspot.com/); mario junior (http://blogdomariojunior.blogspot.com/); futnordeste (http://br.oleole.com/blogs/futnordeste); vai, lateral! (http://vailateral.wordpress.com/)
5. Avisar seus “indicados” com comentários em seus blogs - yes!!
6. Deixar eles saberem quando você publicar seu post - si!!


Então é isso.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Filmes, cervejas e cigarros

(putz, agora tem mais gente lendo o blog. Será que devo fazer revisão dos textos? Não!!)

Eu aprendi a gostar do Oscar. Pelo menos é um momento de saber da existência de alguns filmes interessantes. Um dia desses eu tive uma boa conversa sobre cinema com um entendido no assunto. Jornalista, escreve para o caderno de cultura do maior jornal do estado, especilaista em cinema, uma verdadeira fera. Ele não gosta do Oscar (com todo o direito). Lembrou-me que aquele é o momento em que a indústria do cinema festeja, não o cinema em si, falou também que muitos filmes melhores nem são lembrados pelo Oscar, sem falar em filmes feitos com o "selo" para o prêmio e etc.

A conversa foi além. Sobre a Lei Rouanet, ele fez algumas crítcas pertinentes: o absurdo de artistas como Caetano Veloso, Ana Carolina, Maria Bethania e outros serem alguns dos beneficiados com a lei; no cinema, o problema está da distribuição. Muito bem a lei banca parte dos custos da produção, mas não existem salas disponíveis. O ceneastra paga seus empregados, mas seu filme não será visto, a pruduçao cinematrogáfica aumenta (segundo ele, nunca foi tão farta e de tanta qualidade), mas de que adianta se nem eu nem você vamos ver meu caro leitor?

Depois de algumas cervejas (e da dificuldade para abrir as malditas!), falamos de financiamento e de Fátima Toledo. Sobre financiamento, eu lembrei que achava absurdo que se pagasse para filmar tal filme aqui (como O Bem Amado e o novo filme do Selton Melo) enquanto que o cinema local olhava o bonde. Meu companheiro entendedor de cinema concordou em partes comigo. Ele também está curioso para saber qual será a justificativa do governo para negar verbas para a produção audiovisual local, mas acha importante que o governo traga esses filmes para o estado por dois motivos: de alguma maneira teremos profissioanis locais que aprenderão alguma coisa nessas produções e o dinheiro fica no estado (com geração de empregos, hóteis, etc).

O assunto Fátima Toledo foi rápido, antes do copo de cerveja secar, já estávamos falando de outra coisa. Mesmo assim o tema merece nota. Ele falou da entrevista (por email) que fez com ela e de suas respostas curtas. A polêmica sobre seu trabalho com os atores e a repercursão de sua matéria sobre ela. Falei que senti falta da opinião do Selton sobre o tema. Segundo meu amigo cinéfilo, Selton não se colocou sobre o tema. Sobre a matéria, comentei que tive uma idéia parecida, falar sobre a Fátima, mas, depois de ler a dele, desisti.

Quando percebo que as cervejas estavam acabando, fiz logo a última pergunta, aquela mais curiosa: "como alguém que nasceu e cresceu em Arapiraca se tornou alguém tão apaixonado por cinema?". A resposta foi longa. Percebi a emoção no jeito como reitou o cigarro e colocou na boca, seus olhos miravam o infinito, tragou e falou. O amor como ele me contava os fatos desde sua infância, deixando de comprar o lanche do colégio para alugar filmes, passando pelo vídeo quebrado (o danado "vomitava" as fitas no melhor momento do filme) e o cabo de vassoura para recoloar o filme na máquina sem perda de tempo (assim ele assistiu os filmes mais importantes de sua vida).

O garoto era conhecido na locadora (a maior do estado, segundo o prórpio). Chegava lá e já sabiam, o menino queria o mais recente, já que todo o acervo ele já conhecia. Mas gostar de cinema não é algo novo. Muitos adoram filmes, mas nascem e morrem nos blockbusters. Por qual motivo com ele foi diferente? A resposta? Nem ele sabe. Tudo o que lembar é de dois momentos fundamentais: primeiro quando leu a revista SET e depois quando conheceu o cineclube. Depois disso, os cigarros acabaram, as cervejas idem. A conversa perdeu seu combustível. Era o sinal de que deveríamos dormir.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Somos todos palestinos














Não pretendo aqui falar sobre o que penso em relação ao conflito em Gaza. A idéia é mostrar um pouco da arte de Carlos Latuff. Cartunista, trabalha na imprensa sindical desde 90, foi assim que descobriu que a arte militante era sua vocação. Com trabalhos que falam desde a causa palestina, passando pelos confrontos em Oaxaca, a ação crimonosa da polícia do Rio de Janeiro, além de belas críticas ao governo estadunidense, Latuff é um dos poucos cartunistas que continuam no campo da esquerda, que não se deixaram levar pelo discurso fácil de que a ideologia acabou, ou que essa democracia é o estado final da humanidade. Ele mostra em suas charges que a opressão continua existindo.
Um brasileiro de menos de quarenta anos é conhecido de toda a esquerda mundial. Como isso foi possível? Graças a internet. Foi através dela que Latuff conseguiu aquilo que queria. Explicando do início: o cartunista explica que só foi procurar a imprensa sindical porque as outras portas estavam fechadas. Apesar de ter começado a tarbalhar com a imprensa sindical em 90, foi apenas em 96 que sua consciência deu uma "rodada". Após assistir um documentário sobre a causa zapatista, Latuff se solidarizou e resolveu produzir imagens em favor do povo de Emiliano. Ele continuou trabalhando junto à imprensa sindical, de onde tira seu sustento. Mas, são temas como o do povo palestino, o iraquiano, os sem-terra, os sem-teto, as rádios livres, entre outros o que mais lhe dão a motivação militante: "não cobro nada. Precisou, eu desenho" disse em entrevista ao site Fazendo Média.
Graças ao Copyleft ( forma de usar a legislação de proteção dos direitos autorais com o objetivo de retirar barreiras à utilização, difusão e modificação de uma obra criativa) Latuff hoje é conhecido mundialmente como defensor das causas dos oprimidos, mostrando que é possível fazer arte militante de qualidade, sem se vender a grande mídia (ou mídia corporativa como ele prefere). Afinal, como ele mesmo diz: somos todos palestinos!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Conversa Pertinente só no próximo ano

Então é isso, próximo ano volto com ainda mais textos sobre cultura, comunicação, indústria cultural, mídia e sociedade, jornalismo e enfins!!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Vídeos

Improvável: jogo do troca (http://www.youtube.com/watch?v=FikrU1DRezQ)
O jogo do troca é só um exemplo. Mas você deve assistir o conto de fadas, o frases, o só perguntas... A companhia de humor os barbixas disponibilizou no youtube mais de trinta vídeos da apresentação de seu espetáculo Improváveis. Com a participação de vários comediantes (entre eles Rafina Bastos e Marco Luque) o espetáculo basicamente é feito de improviso, sem cenário, só os atores e a cena que a platéia ajuda a escolher. Tudo não passa de uma grande brincadeira. Qualquer um morre de rir (troca) ri, mas não tanto (troca) chora, qualquer um chora!

Homofobia em A Favorita (http://www.youtube.com/watch?v=yAyROLUgSUo)
Eu já publiquei um texto bem grandinho sobre esse vídeo em dois blogs. Vou restringir-me aqui a dizer uma coisa boa e uma ruim: a boa é que a internet permite que possamos rever quantas vezes quisermos essa e outras cenas, é a TV do futuro realmente, até minha relação com a TV já é diferente, não preciso deixar de fazer certas coisas para não perder determinado programa, simplesmente espero ele aparecer na net. A ruim é o vídeo mesmo, como pode nesse tempo, que parece o dos filmes futuristas de tão moderno, um autor de novela escrever para milhões de telespectadores uma frase como "ele vai ser um são-paulino igual ao Orlandinho".

Charges.com: Barrack Obama - Black or White (http://charges.uol.com.br/2008/11/06/barrack-obama-black-or-white/)
O primeiro negro eleito presidente dos Estados Unidos é um fato que entrará nos próximos livros de história. Após a vitória de Barrack Obama, o discurso de Luther King foi repetido diversas vezes: "eu tenho um sonho..." imagens do povo, especialmente os negros, comemorando a vitória de Obama foi vista milhões de vezes em todo o mundo, ícones do movimento pelos direitos civis falaram que essa eleição era o sinal de que as coisas estavam mudando. Emgraçado, parece que Obama é o Super-Homem ou o Jack Bauer, salvará o planeta e viveremos felizes para sempre! Ainda bem que eu não sou o único que percebi que as coisas não são bem assim. O Charges.com fez uma paródia da música de Michael Jackson Black or White, para não esquecermos que seja branco ou negro, ele ainda é o Presidente da nação imperialista e foi para manter o prestígio do império que ele foi eleito (aliás, muito bem financiado pelas grandes cooporações). Ah! Viva Malcom X!!

Blog do Benja: entrevista com o Mano Brown (http://www.lancenet.com.br/multimidia/?t=Vl=mms://dmedia.lancenet.com.br/OnDemand//tvl_130508_papocombenjapt1.wmvd=Mano%20Brown%20e%20Paulo%20C%E9sar%20Caju%201%AA%20parte%20-%2013/05c=)
No início do ano eu já tinha visto uns pedaços de uma entrevista do Mano Brown no Roda Viva. Um dia desses, procurando umas novidades sobre futebol, encontro uma raridade: uma entrevista de mais de uma hora com o Mano Brown (e mais Paulo César Caju), só falando de futebol e música. O amor pelo Santos, os ídolos que viu jogar, quem o influenciou na música, alguns camaradas do mundo da bola, um papo muito bom com uma personalidade que não costuma aparecer na mídia. Pra quem gosta de futebol é um prato cheio! Pra quem gosta de música também (pronto, agradei meus dois leitores).

O Corinthians voltou (http://www.youtube.com/watch?v=aE3Y_-3EAZI)
Eu odeio o Corinthians. Mas, mesmo assim, me arrepiei quando vi o vídeo com a torcida cantando "coringão voltou!". Naquela semana li e vi vários textos sobre a volta do Corínthians a Série A do Campeonato Brasileiro. Também escutei musiquinhas como a do Roberto Carlos e vídeos de todos os tipos, mas nada me tocava, aquilo era só um monte de gente vibrando com a obrigação de um time grande. Com esse vídeo foi diferente, deu até uma vontade de cantar junto, de querer que meu time vá para a segundona, só pra cantar "o tricolor voltou!".

Blogs

Caso Veja (http://luis.nassif.googlepages.com/)
Luis Nassif dá uma aula de grande reportagem, na verdade, é uma aula de jornalismo. Bem documentado é fundamentado, Nassif disseca o que aconteceu com a Veja nos últimas décadas. Um processo que inicia muito antes dos Mainards e Azevedos. Além de ensinar o que é neocon, copa e cozinha na linguagem jornalística, Nassif mostra a troca de favores entre a revista e alguns "aliados", mostra também como Daniel Dantas passou de inimigo a aliado. Nassif faz lembrar a alunos de jornalismo como eu que nem todos esqueceram aquela palavra tão pronunciada e tão pouco posta em prática: checagem.

Observatório da indústria cultural (http://www.oicult.blogspot.com/)
Para quem pretende estudar cultura, novas tecnologias, indústria cultural e periferia, o blog é um prato cheio. Como o blog é feito por uma galera carioca, boa parte dos artigos escritos são referentes ao cotidiano e as produções e críticas vindas de lá. Mesmo assim têm muita coisa boa. O último que li foi funk na carceragem, recomendo, quem sabe após ler os olhos do meu leitor fiel naum encontre um novo craque para sua seleção.

Classics Movies (http://classicsmoviesonline.blogspot.com/)
Filme de graça online. Um monte de filmes antigos pra assistir sem precisar nem baixar. Cidadão Kane, E o vento levou, Casablanca, vários do Chaplin entre outros. Um verdadeiro achado!

Roja directa (http://www.rojadirecta.org/)
Sabe aquele jogo que você só vê na TV paga? E aquele que nem na paga? Pois é, aqui você não perde nada do futebol. Eu não sei direito como eles fazem, mas aqui tem tudo quanto é jogo. Boa parte do campeonato brasileiro eu vi nesse site. Ele tem uns defeitos: às vezes o canal não funciona, outras o jogo fica muito lento e você não consegue assistir. Mesmo assim, merece uma espiada.

Por trás do gol (http://br.oleole.com/blogs/por-tras-do-gol)
Claro que não iria esquecer do melhor blog sobre futebol da internet né? Brincadeiras de lado, o blog criado por mim e meu leitor fiel, é uma tentativa de discutir futebol sem esquecer que ele está inserido em um mundo que visa o lucro. Não poderia esquecer dele nesta lista, pois foi o responsável por vários dos meus momentos de alegria este ano. Mesmo quem não gosta de futebol vai achar interessante, já que meu companheiro de blog escreve muito bem. O melhor do blog não é nem ele em si, mas a comunidade que o ole ole cria em torno dele, é como se fosse uma comunidade do orkut: você coloca um comentário e o povo vai lá e comenta. De São Paulo a Bahia, passando por Pernambuco, já recebos comentários de todos os jeitos. Só falta os alagoanos né?